No fim de semana passado, o ex-ciclista profissional André Cardoso levou um grupo de ciclistas a uma conquista notável no ciclismo de endurance – completando toda a Odisseia EN2, de uma só vez.

O grupo de intrépidos pilotos percorreu toda a extensão de Portugal e, em 24 horas e 21 minutos de pedalada, os 12 amigos chegaram a Faro depois de percorrer 738 km pela Estrada Nacional 2. Esta incrível jornada começou em Chaves às 08:21 de sábado, dia 26 de junho, e terminou em Faro, no Algarve, na manhã de domingo, dia 27 de junho.

A SwiftCarbon tem um histórico de sucesso no ciclismo de longa distância. O fundador Mark Blewett, junto com Nick Bourne e David Martin, bateu o recorde mundial da travessia humana mais rápida de África. Cardoso completou o percurso na sua Ultravox, o mesmo modelo que Blewett, Boune e Martin usaram na travessia Cairo-Cidade do Cabo.

Cardoso, agora com 35 anos, usou a sua experiência de ciclista profissional para "ajudar aqueles que se juntaram à aventura e estão felizes por deixarem assim a sua marca" na história da Estrada Nacional 2, que comemora agora 75 anos de existência. A velocidade média de Cardoso e dos seus 11 amigos foi de uns impressionantes 29,5 km/h, percorrendo a estrada durante a noite e descansando de 2 em 2 horas.

"Começamos por parar a cada 60 ou 70 km, mas o ritmo diminuiu durante a noite e descansamos a cada 40 km. De manhã e depois do quilómetro 500, tínhamos pausas a cada 60 km".

Tudo começou algumas semanas antes, com o que Cardoso descreve como “apenas uma piada” entre ele e o amigo Sérgio Ribeiro, mas esta ideia aparentemente doida acabou por se concretizar. "Queremos que o ciclismo enquanto desporto chegue a todos. A Nacional 2 é uma estrada tão bonita, com paisagens fantásticas e pessoas hospitaleiras. Deve-se tornar num marco do ciclismo no nosso país - os turistas podem vir aqui e dizer que já pedalaram a estrada mais longa da Europa e a terceira mais longa do mundo!”.

Junto com Cardoso e Ribeiro, os ciclistas da Odisseia N2 incluíram o irmão de Sérgio Pedro, Henriques Nogueira, José Ferreira, Fernando Guerreiro, Nuno Costa, Ivo Fernandes, André Rodrigues, Fábio Oliveira, Jorge Ventura e António Viana. Cardoso descreve a coesão como um "pelotão suave e unificado, com muita amizade, companheirismo e ajuda mútua".

Nem todos os ciclistas são ex-ciclistas profissionais de elite - muitos nunca pedalaram além de 100, 150 ou 200 quilómetros no máximo. “Mesmo que eles tenham tido mais dificuldades, apoiamo-nos o tempo todo. Felizmente, todos terminaram com sucesso e sem quedas, num esforço acima do normal para qualquer atleta", referiu Cardoso.

O tempo esteve do lado dos ciclistas. As previsões das condições meteorológicas indicavam que seriam mais desafiadoras no final do mês. "Pensamos que deveríamos fazê-lo agora ou seria muito complicado fazê-lo com muito calor, que normalmente vem em julho".

 

O grupo recebeu apoio logístico de quatro voluntários, e Cardoso realça a "imensa consideração e respeito pelas comunidades por onde passamos, do norte ao sul do país. Ficamos muito felizes por ver pessoas na rua a aplaudir-nos. Foi muito gratificante para aqueles que estavam na estrada a assumir um desafio como este.”

A polícia também ofereceu apoio. “Quando souberam da iniciativa, juntaram-se ao nosso grupo na estrada. Eles vieram a acompanhar-nos em Vila de Rei quando pedalamos durante a noite", acrescentou.

Esta aventura contará com vários dias de recuperação ativa. “Precisamos de pedalar 20 ou 30 minutos por dia, a fim de eliminar o ácido lático das pernas e ajudar a circulação sanguínea antes do descanso total.” Cardoso é perito em recuperação, tendo competido nas maiores provas do ciclismo, como o Giro d'Italia e Vuelta a España. “Uma boa recuperação garantirá que em breve teremos o desejo de andar de bicicleta nova.